Para ele, 1

O pior não é apenas quando perdemos alguém próximo de nós, mas quando perdemos a nós mesmo. E ela estava perdida: aqueles olhos verdes não eram dela, os longos cabelos castanhos não eram dela: nada era ela. Ele levou tudo, tal com o vento varre as folhas numa tarde de Inverno. Frio, gelo, dor. É tudo o que a caracteriza nestes últimos meses, é tudo o que ela é. O amor é algo engraçado, é como uma magia- a mais perigosa e poderosa de todas-, cria felicidade e desgraça.
A verdade é que era a última noite do ano e ela estava na varanda do apartamento do amigo, estava com um copo de vinho na mão e uma lágrima no olho. Olhava para a Lua e no momento da meia-noite viu o fantasma dele. Sentiu a mão dele a tocar-lhe no ombro, viu o sorriso dele -oh, o que era dela sem o sorriso dele!-, sentiu o cheiro dele e ouviu todos os seus "amo-te" como se fossem segredos preciosos a voarem no ar. Inspirou bem fundo toda a sua tristeza e disse bem baixo "Feliz ano novo, meu amor.".
E ficaram assim durante meia hora: ela, o fantasma dele e o amor deles. O que fica de nós quando damos tudo a alguém que não existe mais?



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